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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Desgraçado
















Desgraçado agora ele observa o sangue
pingando de suas mãos desordenado e
sem movimentos urra e chora enquanto
os olhares estarrecidos lhe sentenciam
culpado pratos e copos quebrados
um cozinha destruída marcas de
feridas ocultadas

Não tens fome nem sede tens onde deitar
nada lhe falta exceto amor suficiente e força
para que seja humilhado e assim consiga
dinheiro para fugir

Envolto de sua mãe que nada
deixou faltar e sempre demonstrou
amor e o provou com sinceridade
de súbito quando contrariada
destila maldade infundada

Envolto igual de um irmão que justifica o mau
Tudo deve aguentar e suportar
tudo deve suportar e aguentar

As maldades não cessam elas crescem
e tornam-se monstros que vão amargando
e atiçando os seu desequilíbrios internos

Sobre pressão
pessoas sãs
enlouquecem
Sobre pressão
a dignidade
se extingue
Sobre pressão
os equilibrados
se desequilibram
os desequilibrados
não encontram
mais direção

O sangue que caiu ao chão foi dos cortes
de sua mão em atrito com as louças e facas
porém poderia ser o seu final

O valor só será encontrado depois
que o dia se transformar em uma
noite que nunca mais conceberá
um amanhecer.