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Fantasma que chora



                            O fantasma que chora

Não me lembro como eu apareci aqui sozinho e no escuro apenas sei que me sinto só, eu vejo pessoas mas elas não podem me ver

Há alguém que me chama atenção, sempre que consigo escapar desse antro escuro ela me distrai e faz-me querer intensamente sentir a luz do dia, ela é estranha e solitária, sua beleza difere de todas as outras

sua face branca é a luz nas minhas escuras e solitárias lembranças 
sua beleza é a calma da minha incessável inquietação

eu a acompanho sempre que eu posso, sempre na escuridão da noite,não consigo ver a luz do dia, e quando onde ela está é dia eu não consigo chegar até lá, então nas noites e nas madrugadas eu a acompanho

há dias que as trevas me cercam em formatos de vultos me encolho e sinto muito medo, ouço coros sinistros e me desespero e as vezes grito mas ninguém parece me ouvir quando os vultos somem e os coros se silenciam mesmo angustiado pelo silencio me sinto aliviado 
penso nela e se é noite no mundo onde ela vive eu como mágica me teletransporto até onde ela está

Ela também tem o habito de ficar só no quintal quando todos estão dormindo ou sair só nas ruas, quando elas estão vazias, algumas vezes ela chora e todas as vezes que isso acontece me entristeço e com o desejo de ajuda-la com a mente eu me concentro no sentimento mais  nobre que há no meu ser, uma brisa vai contra o seu rosto e ela sente mas não entende, teve uma vez que eu ouvi os seus pensamentos,foi uma canção que emocionou-me, eu senti o que ela sentiu e tudo que enxergo nela se ampliou, esperança, amor e dor, e uma doçura rara entre os humanos, ela estava pensando em seus sonhos eles eram pura manifestação do seu interior  


Sinto-me triste dela sentir-se triste, ela parece ser incompreendida, seu sonho é belo ela tenta viver de acordo com o que sente de melhor em seu interior, percebo que as pessoas ao seu redor não dão importância a ela como deveriam dar, Ela é como uma flor solitária e ela se parece comigo em sua solidão, mas ela tem sonhos bonitos, eu só tenho sua imagem que me traz uma pequena e vaga esperança, esperança essa que me faz querer ser algo, além desse vulto que me tornei e não me lembro como, Uma vez tive a impressão de vê-la próxima a minha terrível morada, ela passou como se estivesse adormecida, não me viu, e se visse não sentiria o que sinto por ela, seria uma assombração aos seus olhos, eu não sei se foi criação da minha mente mas isso mexeu comigo eu nunca tinha visto ninguém nem sequer próximo de onde habito a não ser aqueles tenebrosos vultos, eu chorei por mais que eu não consiga enxergar o meu corpo muito menos o meu rosto, a sensação dentro de mim foi de choro e lágrimas, e como se estivesse vivo senti uma parte de mim arder, como se fosse o meu peito

Eu a vejo sempre com amor, um amor sem explicação, eu a tenho como uma deusa, mas a vejo como uma deusa diferente do que as pessoas dizem ao se referir ao termo Deus, ela não me submete a submissões, ela não é perfeita, mas ela simplesmente me tira das trevas, e toda vez que vejo o seu rosto ela me faz sentir novamente a sensação de esperança, que eu não sabia o que era, ou pelo menos não me lembrava mais 

Sinto que hoje faz frio onde ela vive, vi que foi dormir triste com lágrimas nos olhos, agora eu vou sentar-me perto e vou observa-la dormir, e vou flutuar para uma praia deserta para refletir sobre minha tristeza por parte de suas lágrimas eu vou desejar mesmo que meus desejos sejam todos em vãos, como os meus gritos de tormento no escuro, que se existir alguém que possa amenizar sua tristeza e enxugar as suas lágrimas, como eu não posso, que assim faça, antes do sol nascer voltarei até a sua cama e a olharei mais uma vez, e esperarei ser arrastado para o meu reduto sei que tudo começará outra vez, os vultos as vozes, o tormento, mas na companhia de minhas memorias horrorosas sua face se faz brilhante e eu desperto a sensação que ela me faz despertar a de esperança 



Eu sou um vulto eu sou a sombra do escuro, sou simplesmente um fantasma que chora. 

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